
Não sei bem porque estou aqui.
Talvez porque esteja só.
Não, isso é mentira. Não estou só. Ainda compartilho minha casa com meu pai. Ainda tenho uma agenda com muitos telefones de pessoas que reclamam que não ligo para elas (o que é verdade, devo reconhecer). Ainda tenho mais de 100 amigos no Orkut. Ainda por cima convivo com cerca de 400 alunos.
Como posso estar só?
Talvez porque esteja me sentindo só.

1 comments:
Há muito tempo escrevi esse poema... Acho que era um modo diferente de expor mais ou menos a mesma coisa que vc disse aqui:
Vazio
E o vazio que me habita
Não me enche,
Deixando-me apenas
Vazio.
Para tapa-lo
Encho-me
Ou finjo encher-me
Com comida e livros.
Eles tamponam o vazio real
Que em mim habita
E que a mim deixa vazio.
E crendo encher-me destas coisas
As uso em demasia
E esvazio-me
Não tanto quanto
Porém mais ainda.
Busco encher-me, então,
Do esquecimento.
Esquecer o vazio que tenho
E nesse esquecer o vazio
Esqueço-me de enchê-lo
E mais ainda ele sobrevive.
Sobre-vive, sobre mim
Sobre-mim, sobre-tudo-de-mim.
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