Como medir um homem na escala entre macho e bicha:
1. Higiene pessoal 1:
· Toma banho em 3 minutos e usa sabão em barra = MACHO
· Toma banho rápido e usa xampu = HOMEM MÉDIO
· Demora meia hora e usa sabonete líquido = TENDÊNCIAS GAYS OCULTAS
· Toma banho de espuma na banheira = VIADAÇO ASSUMIDO
2. Higiene pessoal 2:
· Mija em pé e nem sacode o pau = MACHO PARA CARALHO
· Mija em pé e sacode o pau para secá-lo = MUITO HOMEM
· Mija sentado e sacode o pau para secá-lo = TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS
· Mija sentado e seca a ponta do pau com papel higiênico = MUITO GAY, PRATICAMENTE UMA MOÇA
3. Uso de cremes e bronzeadores:
· Não usa = MACHO
· Usa um pouco no verão = SENSÍVEL
· Usa bastante no verão = BICHINHA
· Usa bastante o ano todo = BICHA TOTAL
4. Presentes que gosta de ganhar:
· Uma garrafa de cachaça ou whisky = HOMEM MÁSCULO
· Uma peça de roupa = FINO
· Doces, bombons etc. = MEIO VIADO
· Flores e/ou perfumes = VIADAÇO
5. Tratamento dos animais de estimação:
· Seu cão vive no quintal e come restos de comida = VARÃO
· Seu cão vive dentro de casa, come ração especial = DELICADO
· Acaricia muito o gato (que já é boiola por si só) que dorme na sua própria cama = BICHA TOTAL
6. Tratamento das plantas:
· Se alimenta de algumas delas = RAMBO
· Tem algumas plantas no quintal que não são regadas = MACHO
· Cuida das plantas e dos arbustos = FLORZINHA
· Rega, poda plantas e flores de seu jardim = BICHINHA PURPURINADA
7. Uso do espelho:
· Não usa = VIKING
· Usa somente para fazer barba e pentear cabelo = VAIDOSO
· Admira sua pele e observa seus músculos = GAY
· Igual ao GAY, e ainda admira seu bumbum = LOUCA DESATADA
· Admira-se com diferentes perucas, vestidos e maquiagem = TRAVESTI
8. Penteado:
· Não se penteia = MACHÃO
· Penteia-se depois do banho = HOMEM
· Penteia-se várias vezes ao dia = FRESCO
· Penteia-se várias vezes ao dia e pinta cabelo = BICHA
· Penteia os outros e dá conselhos de penteados = BICHA LOUCA
9. Limpeza da casa:
· Varre quando ouve a sujeira estalar sob a sola dos sapatos = ANIMAL
· Varre quando o pó cobre o chão = MACHO
· Limpa com água e detergente = FRESCO
· Limpa com água, detergente e aromatizante = MARIPOSA
· Usa aspirador de pó = BORBOLETA
10. Esportes preferidos:
· Futebol, luta livre, automobilismo = MACHO DE CARTEIRINHA
· Tênis, boliche, voleibol = TENDÊNCIAS GAYS OCULTAS
· Aeróbica, spinning = LOUCA
· Os mesmos, mas usando short de lycra = EXTRA BOIOLA
11. Comidas preferidas:
· Capivara, javali, animais assados, comida apimentada e gordurosa = TARZAN
· Peixe e salada para não engordar = SENSÍVEL
· Sanduíches integrais, consomées = FRESCO
· Aves acompanhadas de vegetais cozidos no vapor = BICHA MUITO LOUCA
12. Cerveja:
· Gelada e em grandes quantidades = MACHO DEMAIS
· Só uma para matar a sede no calor = BICHICE SOB CONTROLE
· Com limão e sal = SUPER BICHA
· Sem álcool = PRATICAMENTE UMA LIBÉLULA
Bom, antes que me perguntem: sou macho, mas não me enquadro na maioria das opções. O "homem contemporâneo", prefiro esse termo à metrossexual (essa palavra virou quase sinônimo de "emo", que já virou quase sinônimo de...).
Não tenho medo de sentir, tenho me esforçado para isso;
Tento ser compreensivo e pronto ao diálogo;
Possuo idéias e pontos de vista fortes, mas estou disposto a discuti-los;
Gosto de andar arrumado e de me agradar podendo me achar o que sou: bonito e interessante;
Sou homem, sou macho, mas não sou um homem ou um macho qualquer: sou especial.
Não sou pra qualquer mulher, sou para um tipo de mulher: uma mulher especial (aquela capaz de reconhecer tudo isso).
Ainda bem que as mulheres não são todas iguais, já encontrei algumas que me encontraram também.
Momentos felizes.
Felizmente, tenho certeza que há outras e sei que ainda há alguém "quase" perfeita pra mim...
Saturday, November 24, 2007
Monday, November 19, 2007
Interpol
"Interpol faz três shows no Brasil em 2008 - Seg, 19 Nov, 10h43 - Por Redação Yahoo! Notícias
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Já estão à venda os ingressos para a primeira apresentação da banda americana Interpol no Brasil. O grupo fará três shows no país em março de 2008. A turnê "Our love to admire" começa dia 11 em São Paulo, segue para o Rio de Janeiro no dia 13 e termina dia 15 em Belo Horizonte.
As entradas para o show de São Paulo, no Via Funchal, custarão R$ 100 (pista), R$ 120 (mezanino) e R$ 160 (camarote).
O Interpol surgiu em 1998 em Nova York e conquistou o mercado internacional já com seu primeiro ábum: "Turn on the bright lights", de 2002.
Confira os locais dos shows:
SÃO PAULO
Data: 11 de março 2008
Local: Via Funchal
Endereço: Rua Funchal, 65, Vila Olímpia - SP - Tel: (11) 3044-2727
RIO DE JANEIRO
Data: 13 de março 2008
Local: Fundição Progresso
Endereço: Rua dos Arcos, 24 - Lapa - Rio de Janeiro - Tel : (21) 2220-5070.
BELO HORIZONTE
Data: 15 de março 2008
Local : Chevrolet Hall
Endereço : Av. Nossa Senhora do Carmo, 230 - Belo Horizonte Tel: (31) 2191- 5700"
Wednesday, November 14, 2007
Declarações
De mim pra Priscila:(28/05/2007)
"Demorei muito pra te encontrar
Agora eu quero só você
Teu jeito todo especial de ser
Eu fico louco com você"
Pri,
Estamos juntos a pouco tempo mas você já se tornou uma presença constante na minha vida. Penso em você mais de uma vez por dia, quase todo dia... Gosto do seu jeito delicado e carinhoso, que também pode ser determinado e vivo.
Sua companhia me agrada por demais; te deixar ir (seja depois de uma hora ou depois de um dia juntos) sempre é difícil.
Não tenho pressa em te conhecer, tenho ainda muito pra saber a seu respeito. Que cada dia, semana juntos, sejam momentos de aprendizado mútuo. Espero ser tão interessante quanto és e tão carinhoso quanto és comigo.
Mais um FDS, mais um momento juntos; esses momentos valem o dia e alegram o início da semana (que espero acabar logo pra poder te rever).
Dizer que te quero é muito, mas pra mim é pouco. Te quero sim, mas não para uma noite, nem para um dia - te quero para os dias e noites da minha vida (para isso, tudo vale a pena)."
De Priscila pra mim (18/06/2007):
"Meu querido, reescrevi este poema inspirada em você. Afinal, estes dois meses compactam uma grande felicidade de estar ao seu lado. Beijos com muito carinho, da sua PRIncesa.
De sonhos já estou cheia
Já vi diversos castelos de areia
serem arrastados pelas ondas do mar
Quero ser feliz no seu íntimo
Seguir a curva do rio
que sabe onde quer chegar
Você completa e me faz acreditar na vida
Vida que não precisa ser sofrida
mas sim, renascida, aprendida e vivida.
Por você, vale a pena amar!
(Priscila - 18/06/2007)"
É interessante, passados os meses, como as coisas mudam.
Sendo eu professor de História não deveria me surpreender, mas isso sempre nos pega pelo pé.
A eternidade que dura meses, bem como o temporário que se prolonga por anos...
Nunca há como saber, só vivendo...
"Demorei muito pra te encontrar
Agora eu quero só você
Teu jeito todo especial de ser
Eu fico louco com você"
Pri,
Estamos juntos a pouco tempo mas você já se tornou uma presença constante na minha vida. Penso em você mais de uma vez por dia, quase todo dia... Gosto do seu jeito delicado e carinhoso, que também pode ser determinado e vivo.
Sua companhia me agrada por demais; te deixar ir (seja depois de uma hora ou depois de um dia juntos) sempre é difícil.
Não tenho pressa em te conhecer, tenho ainda muito pra saber a seu respeito. Que cada dia, semana juntos, sejam momentos de aprendizado mútuo. Espero ser tão interessante quanto és e tão carinhoso quanto és comigo.
Mais um FDS, mais um momento juntos; esses momentos valem o dia e alegram o início da semana (que espero acabar logo pra poder te rever).
Dizer que te quero é muito, mas pra mim é pouco. Te quero sim, mas não para uma noite, nem para um dia - te quero para os dias e noites da minha vida (para isso, tudo vale a pena)."
De Priscila pra mim (18/06/2007):
"Meu querido, reescrevi este poema inspirada em você. Afinal, estes dois meses compactam uma grande felicidade de estar ao seu lado. Beijos com muito carinho, da sua PRIncesa.
De sonhos já estou cheia
Já vi diversos castelos de areia
serem arrastados pelas ondas do mar
Quero ser feliz no seu íntimo
Seguir a curva do rio
que sabe onde quer chegar
Você completa e me faz acreditar na vida
Vida que não precisa ser sofrida
mas sim, renascida, aprendida e vivida.
Por você, vale a pena amar!
(Priscila - 18/06/2007)"
É interessante, passados os meses, como as coisas mudam.
Sendo eu professor de História não deveria me surpreender, mas isso sempre nos pega pelo pé.
A eternidade que dura meses, bem como o temporário que se prolonga por anos...
Nunca há como saber, só vivendo...
Sunday, November 11, 2007
Reclamações e retratações
O futuro do Brasil!
Meu papel:
"Consiste a minha primordial ambição em vos dar exemplos e conselhos que vos façam úteis à vossa família, à vossa nação e à vossa espécie, tornando-vos fortes, bons, felizes. Se de meus ensinamentos colherdes algum fruto, descançarei satisfeito de haver cumprido a minha missão." (Afonso Celso)
O papel de vocês;
"Que a vossa geração exceda a minha e as precedentes" (Afonso Celso)
Que o ping-pong que os diverte, e às vezes, os afasta das aulas ("Para se inscrever é só procurar o #%*!@# da *&$##.Ele sempre está lá no ping-pong, né? rs") não os faça esquecer do leite, que às vezes, afasta as crianças da morte.
PS: "Poxa professor, falando assim o senhor me faz sentir até mal..."
Bem.....
Era essa a intenção.
Pedido de Desculpas
"Que o ping-pong que os diverte, e às vezes, os afasta das aulas ("Para se inscrever é só procurar o #%*!@# da *&$##.Ele SEMPRE está lá no ping-pong, né? rs") não os faça esquecer do leite, que às vezes, afasta as crianças da morte." (destaque meu)
Rafael e Renan,
Peço desculpas pelo fato de ser generalizador. Os dois foram meus alunos e, no pouco tempo que tivemos contato, pude desenvolver um grande respeito pelos dois. Infelizmente, se dissesse nomes dos alunos que se furtam às suas responsabilidades, estaria sendo acusado agora, provavelmente não por vocês, de estar desmoralizando o aluno.
Dirigindo-me mais diretamente ao Rafael, realmente, sua conduta em sala não me deixa mentir, nem teria porque, visto que sempre teve postura correta em sala, bem como muitos alunos que vejo jogando ping-pong e que, durante o horário de aula, vejo sempre em sala. Cabe ressaltar aqui que a frase acima, não foi escrita por mim, mas por um aluno. Visando preservar o aluno citado, bem como o que citou, - visando evitar possíveis constrangimentos, o que talvez não fosse necessário (visto o "rs", risinho, presente na afirmação supracitada) nem mencionei a fonte.
Quanto a discutir política Renan, a discuto sempre:
1. Ao discutir a problemática da relação entre senhor de escravo e escravo, do preconceito inerente a isso, visível na valorização do trabalho intelectual e desvalorização do trabalho braçal, visível ainda hoje na forma como ALGUNS alunos sujam as salas aumentando a carga de trabalho de nossos funcionários;
2. Ao discutir o preconceito religioso na Reforma, a soberba que marcou a Igreja Católica, tida como verdadeira, única, superior, soberba essa presente entre ALGUNS alunos que defendem slogans como "Ih, foi mal, a minha é federal";
3. Ao discutir a política educacional de nosso país pelo fato de se investir uma soma considerável em uma escola técnica quando MUITOS (não todos) entram para a mesma, declaradamente, sem nem mesmo ter a intenção de cursar o técnico;
4. Ao incentivar o patriotismo (e não o nacionalismo puro, ingênuo, xenófobo, etc.) e mostrar a importância de se valorizar o Brasil, de nos tornarmos cidadãos dignos capazes de melhorá-lo, enquanto ALGUNS alunos se vangloriam publicamente de colar nas provas;
5. Ao tentar demonstrar com a minha conduta em sala de aula, cumprindo meu papel como professor, enquanto que ALGUNS alunos que se preocupam mais com ativismo político se esquecem que para se fazer política estudantil, tem que se ser estudar;
6. Ao defender os ideais de igualdade, que deveriam ser estampados em nosso uniforme, igualando todos os alunos como "cefetianos", enquanto ALGUNS alunos procuram formas de se diferenciar de seus colegas utilizando calças mais transadas, tênis da moda, etc.;
7. Ao falar da exploração colonial enquanto que ALGUNS alunos, que às vezes podem se sentir "colônia" do Maracanã rabiscam, arranham, quebram carteiras financiadas com dinheiro público de todo o CEFET/RJ.
Quanto às suas frases - antes de qualquer coisa:
"Realmente eu nunca ví nenhum professor meu (exceto o Marcus, de Geografia e os de Química), a parar a aula pra deixar a turma pilhada realmente a ir para as ruas protestar, para lutar pelos direitos."
Fico feliz por ver que há colegas que incentivam a mobilização estudantil, isso é positivo e necessário. Eu não sou capaz disso. É da minha natureza. Acho que tento conscientizar os alunos, com o meu exemplo e cobrando deles dedicação, seriedade, postura, etc. Essas características também não fazem um cidadão? Particularmente, e aí vai um comentário pessoal, evito ao máximo qualquer conflito. Agora, pode confirmar com os alunos desse ano se não os incentivei a lutar por seus direitos, se não os incentivei a votar, se não disse que procurassem se informar sobre os candidatos - sem em nenhum momento apoiar alguém (como, teoricamente, sou formador de opinião, sou contra se apoiar candidato publicamente).
Quer um exemplo do que é mobilização pra mim?
A. Convocar todos os alunos da comunidade para mandar e-mails para aqui ou para ali exigindo passe-livre;
B. Fazer uma lista e, a cada dia, um aluno diferente ligar para um jornal ou rede de televisão informando sobre a situação caótica da Baixada;
C. Sugerir aos alunos vestir com orgulho a camisa do CEFET e questionar porque as camisas (nem posso dizer uniforme...) das UnEDs vêm escrito "Maria da Graça" e "Nova Iguaçu", enquanto que as dos alunos do Maracanã só vem escrito CEFET/RJ.
Sabe por que não incentivo nada disso? Porque não consigo mobilizar o aluno para:
1. Chegar no horário da aula, horário que ele, ao entrar para o CEFET, se comprometeu a cumprir;
2. Não conversar em sala, desrespeitando o outro que tem dúvida;
3. Desligar e/ou não atender seu celular em sala (por que não pedir, discretamente, ao professor para beber água e retornar a ligação depois?), desrespeitando os colegas e a mim;
4. Perceber que é errado ele ficar carregando o celular dele na sala de aula (se eu ligasse uma tomada na casa dele, isso configuraria "gato", não é?).
Mesmo sem conseguir, não desisto. Minha luta política não é travada na rua, é na sala de aula.
Realmente, você está certo quando diz:
"Até parece que vocês deixaram os seus mestrados, seus domingos em família ou seus estudos mais interessantes de lado para irem para às ruas (não protestar e sim exigir) contra a impunidade, contra a corrupção e contra todas as falcatruas do governo que GERAM JUSTAMENTE ESSA NECESSIDADE DE NÓS, CIDADÃOS HONESTOS E QUE PAGAM IMPOSTOS, TERMOS QUE FAZER O QUÊ O GOVERNO DEVERIA FAZER, em outras palavras, DAR LEITE PARA AS CRIANÇAS QUE NÃO TEM COMO PAGAR."
Não deixaria meu mestrado para fazer passeata, pois, ao assinar minha inscrição, tinha assumido um compromisso com a instituição que me aceitou e deveria honrá-lo. Atualmente vivo o conflito entre ter que dosar, da melhor forma possível, minha vida pessoal, acadêmica e profissional; como o cobertor é curto, principalmente para mim que sou desorganizado (deveria estar redigindo um texto para meu orientador, mas estou aqui porque, nesse momento, minha obrigação como professor me parece mais importante).
Da mesma forma, não faltaria aos meus domingos em família porque minha família era composta de pessoas semi-alfabetizadas e de idade avançada que, com muito custo e sacrifício, conseguiram me dar uma vida de certo luxo e com condições de ir a uma escola particular, de ter explicador quando tinha dificuldade e de poder estudar inglês.
Também não deixaria os meus estudos mais interessantes de lado pois foram eles que me deram a cultura que possuo e que, mais de uma vez, foi motivo de orgulho para mim quando:
A. um aluno vinha me perguntar como poderia ficar tão culto quanto eu (e eu, de forma um tanto tímida, tentei lhe dar alguns conselhos);
OBS: Quando, às vezes brinco, que sou inteligente, que sou isso sou aquilo, meu objetivo é muito mais o da brincadeira, o da descontração. Conheço pessoas, possuo amigos que são muito mais capazes do que eu, porém enfatizar isso nesse mundo competitivo seria visto pela maioria dos alunos não como humildade, mas como sinal de fraqueza.
B. uma aluna veio me pedir uma lista de livros (romances, comédias, qualquer coisa) para ler que pudesse ser útil para saber mais;
C. um aluno, que não tinha mais caderno nem caneta e tive que lhe dar os que tinha recebido da escola, me disse que eu era um homem bem sucedido pois tinha cultura e cargo público; isso meses antes dele me agradecer por tê-lo encaminhado para uma entrevista de emprego (emprego esse que, infelizmente, acabou levando-o a abandonar a escola para garantir seu sustento).
Felizmente, tenho outros momentos felizes que guardo com carinho no meu coração e que me deixam com a sensação do dever cumprido. Posso ser medíocre, não ser ambicioso e não sonhar alto. Diferentemente de muitos professores de História, posso não incentivar a revolução. Peço desculpas por isso. Meu trabalho é de formiguinha. É acordar antes das cinco da manhã para estar em sala às 07:20 e tentar mostrar ao aluno que devemos tentar honrar nossos compromissos. Nem sempre podemos, afinal somos humanos e temos falhas; um dia todo mundo se atrasa. Mas pelo menos "tentar honrar".
OBS: Cabe aqui destacar que não sou nenhum exemplo de perfeição. Já cometi, e às vezes, cometo erros graves. Já magoei e feri. Já fui incorreto e injusto. Já fui cruel e sádico. Tenho meu lado sombrio como todos nós. Como ele me assombra sempre, vivo, atormentado pela minha consciência, sempre tentando não errar de novo e tentando acertar mais uma vez. "O Homem está condenado a ser livre". Essa frase de Sartre nos diz bem que devemos viver com as conseqüências do que fazemos.
Quanto à corrupção, o fato de pagarmos impostos e não haver leite, etc., concordo com você. Em verdade, sou contra qualquer tipo de assistencialismo. Mas a caridade não é assistencialismo. Agora penso que fiz mal em escrever aquela última mensagem antes dos comentários de vocês, afinal, ninguém é obrigado a ajudar ninguém. Como falei outro dia, nessa semana, em sala, estou tão "contaminado" pela hipocrisia quanto as outras pessoas - eu também passo para o outro lado da calçada quando vejo um pedinte ao longe.
E isso me enoja.
Me faz sentir ódio de mim mesmo.
Por isso vi, na campanha do professor Wagner, uma pequena possibilidade de redenção, uma pequena chance de acalmar a minha consciência. Fiz mal, agora tenho certeza, pois julguei ser obrigação de todos uma responsabilidade que pensei ser minha. Não vai aqui nenhum duplo sentido, ambiguidade, ironia, em minhas palavras. Muitos de vocês já contribuem muito para o mundo sendo bons filhos, bons alunos, etc.
Peço desculpas, me dei conta de que caridade se dá, não se exige . Aproveito aqui para agradecer às 17 pessoas que, além de mim e do professor Wagner, fizeram suas doações. Na minha raiva pelo que julguei, equivocadamente, ser obrigação de todos, esqueci a boa vontade de alguns.
MUITO OBRIGADO! \o/
Lamento que, por ter que generalizar, tenha ofendido (sem intenção) alunos pelos quais tenho o maior respeito. Isso ocorreu porque, pela dureza das minhas palavras, vocês que possuem uma consciência moral (meus alunos de Fundamentos de Filosofia e Sociologia irão entender, espero) se sentiram ultrajados, com razão. Infelizmente, aqueles que se perdem em no mero descaso, ativismo, deboche, não devem ter feito caso de minhas palavras; provavelmente riram, como devem estar rindo, pensando que perdi um tempo enorme escrevendo isso. Isso ocorre porque, talvez, não tenho a sua sensibilidade moral (meus alunos de Fundamentos de Filosofia e Sociologia irão entender, espero) desenvolvida.
Como, da mesma forma que em outra comunidade, escrevi coisas que ofenderam outras pessoas ( http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=115678&tid=8273597 ), retiro-me dos debates, limitando-me ao acompanhamento dos mesmos.
Obrigado pela atenção.
Professor André.
Meu papel:
"Consiste a minha primordial ambição em vos dar exemplos e conselhos que vos façam úteis à vossa família, à vossa nação e à vossa espécie, tornando-vos fortes, bons, felizes. Se de meus ensinamentos colherdes algum fruto, descançarei satisfeito de haver cumprido a minha missão." (Afonso Celso)
O papel de vocês;
"Que a vossa geração exceda a minha e as precedentes" (Afonso Celso)
Que o ping-pong que os diverte, e às vezes, os afasta das aulas ("Para se inscrever é só procurar o #%*!@# da *&$##.Ele sempre está lá no ping-pong, né? rs") não os faça esquecer do leite, que às vezes, afasta as crianças da morte.
PS: "Poxa professor, falando assim o senhor me faz sentir até mal..."
Bem.....
Era essa a intenção.
Pedido de Desculpas
"Que o ping-pong que os diverte, e às vezes, os afasta das aulas ("Para se inscrever é só procurar o #%*!@# da *&$##.Ele SEMPRE está lá no ping-pong, né? rs") não os faça esquecer do leite, que às vezes, afasta as crianças da morte." (destaque meu)
Rafael e Renan,
Peço desculpas pelo fato de ser generalizador. Os dois foram meus alunos e, no pouco tempo que tivemos contato, pude desenvolver um grande respeito pelos dois. Infelizmente, se dissesse nomes dos alunos que se furtam às suas responsabilidades, estaria sendo acusado agora, provavelmente não por vocês, de estar desmoralizando o aluno.
Dirigindo-me mais diretamente ao Rafael, realmente, sua conduta em sala não me deixa mentir, nem teria porque, visto que sempre teve postura correta em sala, bem como muitos alunos que vejo jogando ping-pong e que, durante o horário de aula, vejo sempre em sala. Cabe ressaltar aqui que a frase acima, não foi escrita por mim, mas por um aluno. Visando preservar o aluno citado, bem como o que citou, - visando evitar possíveis constrangimentos, o que talvez não fosse necessário (visto o "rs", risinho, presente na afirmação supracitada) nem mencionei a fonte.
Quanto a discutir política Renan, a discuto sempre:
1. Ao discutir a problemática da relação entre senhor de escravo e escravo, do preconceito inerente a isso, visível na valorização do trabalho intelectual e desvalorização do trabalho braçal, visível ainda hoje na forma como ALGUNS alunos sujam as salas aumentando a carga de trabalho de nossos funcionários;
2. Ao discutir o preconceito religioso na Reforma, a soberba que marcou a Igreja Católica, tida como verdadeira, única, superior, soberba essa presente entre ALGUNS alunos que defendem slogans como "Ih, foi mal, a minha é federal";
3. Ao discutir a política educacional de nosso país pelo fato de se investir uma soma considerável em uma escola técnica quando MUITOS (não todos) entram para a mesma, declaradamente, sem nem mesmo ter a intenção de cursar o técnico;
4. Ao incentivar o patriotismo (e não o nacionalismo puro, ingênuo, xenófobo, etc.) e mostrar a importância de se valorizar o Brasil, de nos tornarmos cidadãos dignos capazes de melhorá-lo, enquanto ALGUNS alunos se vangloriam publicamente de colar nas provas;
5. Ao tentar demonstrar com a minha conduta em sala de aula, cumprindo meu papel como professor, enquanto que ALGUNS alunos que se preocupam mais com ativismo político se esquecem que para se fazer política estudantil, tem que se ser estudar;
6. Ao defender os ideais de igualdade, que deveriam ser estampados em nosso uniforme, igualando todos os alunos como "cefetianos", enquanto ALGUNS alunos procuram formas de se diferenciar de seus colegas utilizando calças mais transadas, tênis da moda, etc.;
7. Ao falar da exploração colonial enquanto que ALGUNS alunos, que às vezes podem se sentir "colônia" do Maracanã rabiscam, arranham, quebram carteiras financiadas com dinheiro público de todo o CEFET/RJ.
Quanto às suas frases - antes de qualquer coisa:
"Realmente eu nunca ví nenhum professor meu (exceto o Marcus, de Geografia e os de Química), a parar a aula pra deixar a turma pilhada realmente a ir para as ruas protestar, para lutar pelos direitos."
Fico feliz por ver que há colegas que incentivam a mobilização estudantil, isso é positivo e necessário. Eu não sou capaz disso. É da minha natureza. Acho que tento conscientizar os alunos, com o meu exemplo e cobrando deles dedicação, seriedade, postura, etc. Essas características também não fazem um cidadão? Particularmente, e aí vai um comentário pessoal, evito ao máximo qualquer conflito. Agora, pode confirmar com os alunos desse ano se não os incentivei a lutar por seus direitos, se não os incentivei a votar, se não disse que procurassem se informar sobre os candidatos - sem em nenhum momento apoiar alguém (como, teoricamente, sou formador de opinião, sou contra se apoiar candidato publicamente).
Quer um exemplo do que é mobilização pra mim?
A. Convocar todos os alunos da comunidade para mandar e-mails para aqui ou para ali exigindo passe-livre;
B. Fazer uma lista e, a cada dia, um aluno diferente ligar para um jornal ou rede de televisão informando sobre a situação caótica da Baixada;
C. Sugerir aos alunos vestir com orgulho a camisa do CEFET e questionar porque as camisas (nem posso dizer uniforme...) das UnEDs vêm escrito "Maria da Graça" e "Nova Iguaçu", enquanto que as dos alunos do Maracanã só vem escrito CEFET/RJ.
Sabe por que não incentivo nada disso? Porque não consigo mobilizar o aluno para:
1. Chegar no horário da aula, horário que ele, ao entrar para o CEFET, se comprometeu a cumprir;
2. Não conversar em sala, desrespeitando o outro que tem dúvida;
3. Desligar e/ou não atender seu celular em sala (por que não pedir, discretamente, ao professor para beber água e retornar a ligação depois?), desrespeitando os colegas e a mim;
4. Perceber que é errado ele ficar carregando o celular dele na sala de aula (se eu ligasse uma tomada na casa dele, isso configuraria "gato", não é?).
Mesmo sem conseguir, não desisto. Minha luta política não é travada na rua, é na sala de aula.
Realmente, você está certo quando diz:
"Até parece que vocês deixaram os seus mestrados, seus domingos em família ou seus estudos mais interessantes de lado para irem para às ruas (não protestar e sim exigir) contra a impunidade, contra a corrupção e contra todas as falcatruas do governo que GERAM JUSTAMENTE ESSA NECESSIDADE DE NÓS, CIDADÃOS HONESTOS E QUE PAGAM IMPOSTOS, TERMOS QUE FAZER O QUÊ O GOVERNO DEVERIA FAZER, em outras palavras, DAR LEITE PARA AS CRIANÇAS QUE NÃO TEM COMO PAGAR."
Não deixaria meu mestrado para fazer passeata, pois, ao assinar minha inscrição, tinha assumido um compromisso com a instituição que me aceitou e deveria honrá-lo. Atualmente vivo o conflito entre ter que dosar, da melhor forma possível, minha vida pessoal, acadêmica e profissional; como o cobertor é curto, principalmente para mim que sou desorganizado (deveria estar redigindo um texto para meu orientador, mas estou aqui porque, nesse momento, minha obrigação como professor me parece mais importante).
Da mesma forma, não faltaria aos meus domingos em família porque minha família era composta de pessoas semi-alfabetizadas e de idade avançada que, com muito custo e sacrifício, conseguiram me dar uma vida de certo luxo e com condições de ir a uma escola particular, de ter explicador quando tinha dificuldade e de poder estudar inglês.
Também não deixaria os meus estudos mais interessantes de lado pois foram eles que me deram a cultura que possuo e que, mais de uma vez, foi motivo de orgulho para mim quando:
A. um aluno vinha me perguntar como poderia ficar tão culto quanto eu (e eu, de forma um tanto tímida, tentei lhe dar alguns conselhos);
OBS: Quando, às vezes brinco, que sou inteligente, que sou isso sou aquilo, meu objetivo é muito mais o da brincadeira, o da descontração. Conheço pessoas, possuo amigos que são muito mais capazes do que eu, porém enfatizar isso nesse mundo competitivo seria visto pela maioria dos alunos não como humildade, mas como sinal de fraqueza.
B. uma aluna veio me pedir uma lista de livros (romances, comédias, qualquer coisa) para ler que pudesse ser útil para saber mais;
C. um aluno, que não tinha mais caderno nem caneta e tive que lhe dar os que tinha recebido da escola, me disse que eu era um homem bem sucedido pois tinha cultura e cargo público; isso meses antes dele me agradecer por tê-lo encaminhado para uma entrevista de emprego (emprego esse que, infelizmente, acabou levando-o a abandonar a escola para garantir seu sustento).
Felizmente, tenho outros momentos felizes que guardo com carinho no meu coração e que me deixam com a sensação do dever cumprido. Posso ser medíocre, não ser ambicioso e não sonhar alto. Diferentemente de muitos professores de História, posso não incentivar a revolução. Peço desculpas por isso. Meu trabalho é de formiguinha. É acordar antes das cinco da manhã para estar em sala às 07:20 e tentar mostrar ao aluno que devemos tentar honrar nossos compromissos. Nem sempre podemos, afinal somos humanos e temos falhas; um dia todo mundo se atrasa. Mas pelo menos "tentar honrar".
OBS: Cabe aqui destacar que não sou nenhum exemplo de perfeição. Já cometi, e às vezes, cometo erros graves. Já magoei e feri. Já fui incorreto e injusto. Já fui cruel e sádico. Tenho meu lado sombrio como todos nós. Como ele me assombra sempre, vivo, atormentado pela minha consciência, sempre tentando não errar de novo e tentando acertar mais uma vez. "O Homem está condenado a ser livre". Essa frase de Sartre nos diz bem que devemos viver com as conseqüências do que fazemos.
Quanto à corrupção, o fato de pagarmos impostos e não haver leite, etc., concordo com você. Em verdade, sou contra qualquer tipo de assistencialismo. Mas a caridade não é assistencialismo. Agora penso que fiz mal em escrever aquela última mensagem antes dos comentários de vocês, afinal, ninguém é obrigado a ajudar ninguém. Como falei outro dia, nessa semana, em sala, estou tão "contaminado" pela hipocrisia quanto as outras pessoas - eu também passo para o outro lado da calçada quando vejo um pedinte ao longe.
E isso me enoja.
Me faz sentir ódio de mim mesmo.
Por isso vi, na campanha do professor Wagner, uma pequena possibilidade de redenção, uma pequena chance de acalmar a minha consciência. Fiz mal, agora tenho certeza, pois julguei ser obrigação de todos uma responsabilidade que pensei ser minha. Não vai aqui nenhum duplo sentido, ambiguidade, ironia, em minhas palavras. Muitos de vocês já contribuem muito para o mundo sendo bons filhos, bons alunos, etc.
Peço desculpas, me dei conta de que caridade se dá, não se exige . Aproveito aqui para agradecer às 17 pessoas que, além de mim e do professor Wagner, fizeram suas doações. Na minha raiva pelo que julguei, equivocadamente, ser obrigação de todos, esqueci a boa vontade de alguns.
MUITO OBRIGADO! \o/
Lamento que, por ter que generalizar, tenha ofendido (sem intenção) alunos pelos quais tenho o maior respeito. Isso ocorreu porque, pela dureza das minhas palavras, vocês que possuem uma consciência moral (meus alunos de Fundamentos de Filosofia e Sociologia irão entender, espero) se sentiram ultrajados, com razão. Infelizmente, aqueles que se perdem em no mero descaso, ativismo, deboche, não devem ter feito caso de minhas palavras; provavelmente riram, como devem estar rindo, pensando que perdi um tempo enorme escrevendo isso. Isso ocorre porque, talvez, não tenho a sua sensibilidade moral (meus alunos de Fundamentos de Filosofia e Sociologia irão entender, espero) desenvolvida.
Como, da mesma forma que em outra comunidade, escrevi coisas que ofenderam outras pessoas ( http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=115678&tid=8273597 ), retiro-me dos debates, limitando-me ao acompanhamento dos mesmos.
Obrigado pela atenção.
Professor André.
Nós somos a nação!
"Porque me ufano do meu país"
Para quem e para que foi composto este opúsculo
As páginas que aí vão — escrevi-as para vós, meus filhos, ao celebrar a nossa Pátria o quarto centenário do seu descobrimento. Sorri-me a esperança de que encontrareis nelas prazer e proveito.
Consiste a minha primordial ambição em vos dar exemplos e conselhos que vos façam úteis à vossa família, à vossa nação e à vossa espécie, tornando-vos fortes, bons, felizes. Se de meus ensinamentos colherdes algum fruto, descançarei satisfeito de haver cumprido a minha missão.
Entre esses ensinamentos, avulta o do patriotismo. Quero que consagreis sempre ilimitado amor à região onde nascestes, servindo-a com dedicação absoluta, destinando-lhe o melhor da vossa inteligência, os primores do vosso sentimento, o mais fecundo da vossa atividade — dispostos a quaisquer sacrifícios por ela, inclusive o da vida.
Embora padeçais por causa da Pátria, cumpre que lhe voteis alto, firme, desinteressado afeto, o qual, longe de esmorecer, — aumente, quando desconhecido, injustamente aquilatado, ou ingratamente retribuído, e, jamais, em circunstância nenhuma, vacile, descreia, ou se entibie.
Mas cumpre igualmente que não seja um amor irrefletido e cego, e sim raciocinado, robustecido pela observação, assente em sólidas e convincentes razões.
Não deveis prezar a vossa terra só porque é vossa terra, o que, aliás, bastaria. Sobejam motivos para que tenhais também orgulho da vossa nacionalidade. A natureza não constitui o seu exclusivo e principal título de vanglória.
Ousa afirmar muita gente que ser brasileiro importa condição de inferioridade. Ignorância, ou má fé! Ser brasileiro significa distinção e vantagem. Assiste-vos o direito de proclamar, cheios de desvanecimento, a vossa origem, sem receio de confrontar o Brasil com os primeiros países do mundo. Vários existem mais prósperos, mais poderosos, mais brilhantes que o nosso. Nenhum mais digno, mais rico de fundadas promessas, mais invejável.
Nas linhas que se seguem procurei demonstrar estes assertos. Não as inspira entusiasmo, mas experiência e estudo. Já me alonguei da quadra em que o entusiasmo domina. Mais de meio caminho da jornada está percorrido. Andei em demoradas viagens por grande extensão do orbe. Tenho lido e meditado muito, tenho sofrido duras decepções.
E me sinto amigo do meu país, cada dia em grau superior ao do antecedente. Em nenhum outro, fixaria de bom grado o domicílio. Peço que me deitem aqui, somente aqui, para o sono supremo.
Quereis saber os fundamentos desse culto? A leitura dos argumentos e fatos, adiante singelamente expostos, vo-lo mostrará.
Avigorai, meus filhos, estes argumentos; juntai novos fatos a tais fatos; propagai-os; cultivai, engrandecei o amor pelo Brasil.
Que a vossa geração exceda a minha e as precedentes, senão em semelhante amor, ao menos nas ocasiões de o comprovar. Quando disserdes: “Somos brasileiros!” levantai a cabeça, transbordantes de nobre ufania. Convencei-vos de que deveis agradecer quotidianamente a Deus o haver Ele vos outorgado por berço o Brasil.
CELSO, Affonso. 1997. Porque me ufano de meu país. Rio de Janeiro: Expressão & Cultura. pp. 25-27.
07 de setembro
Que hoje, ao comemorarmos o 185º ano da nossa emancipação política, as palavras de Affonso Celso sejam para nós um ideal. Ideal ingênuo e criticável talvez, mas não abandonável.
Nós, professores, alunos e funcionários, que trabalhamos em uma instituição federal - que representa a totalidade de nossa nação - devemos tomar essas palavras com ainda maior seriedade.
Não estamos aqui por favor, estamos com um dever, de dar um retorno à sociedade que nos permitiu estar aqui.
Não estamos aqui para mero prazer pessoal, estamos aqui para mostrarmos que somos dignos de aqui estar, quando tantos outros desejariam nosso lugar, mas não podem estar aqui.
Não estamos aqui porque o CEFET é nosso, estamos porque ele é maior do que nós e, ao partirmos ele continuará, ficando-nos a obrigação de ter feito dele algo melhor para nós e para os outros.
Estou no CEFET há mais ou menos um ano.
A cada dia de trabalho produtivo, quando vou embora, muitas vezes digo aos meus colegas de trabalho ou murmuro para mim mesmo: "Ganhamos nosso dinheiro honestamente." Ganhamos nosso dinheiro fazendo o que somos pagos para fazer.
Em cada dia de trabalho improdutivo, quando vou embora, penso em silêncio: "Ganho mais do que outros professores e não consegui cumprir com meu papel." Ganhei meu dinheiro sem merecê-lo, sem ter alcançado meu objetivo da forma que desejava ou deveria.
Conversando com um amigo sobre essas angústias ele me respondeu: "André, isso é besteira. Esse papo de Brasil não existe. O que existe é minha mulher, minha família, meus amigos. O Brasil sou eu."
Concordo só com o final.
O Brasil sou eu, e ele será o que eu fizer (ou não fizer) dele.
Para quem e para que foi composto este opúsculo
As páginas que aí vão — escrevi-as para vós, meus filhos, ao celebrar a nossa Pátria o quarto centenário do seu descobrimento. Sorri-me a esperança de que encontrareis nelas prazer e proveito.
Consiste a minha primordial ambição em vos dar exemplos e conselhos que vos façam úteis à vossa família, à vossa nação e à vossa espécie, tornando-vos fortes, bons, felizes. Se de meus ensinamentos colherdes algum fruto, descançarei satisfeito de haver cumprido a minha missão.
Entre esses ensinamentos, avulta o do patriotismo. Quero que consagreis sempre ilimitado amor à região onde nascestes, servindo-a com dedicação absoluta, destinando-lhe o melhor da vossa inteligência, os primores do vosso sentimento, o mais fecundo da vossa atividade — dispostos a quaisquer sacrifícios por ela, inclusive o da vida.
Embora padeçais por causa da Pátria, cumpre que lhe voteis alto, firme, desinteressado afeto, o qual, longe de esmorecer, — aumente, quando desconhecido, injustamente aquilatado, ou ingratamente retribuído, e, jamais, em circunstância nenhuma, vacile, descreia, ou se entibie.
Mas cumpre igualmente que não seja um amor irrefletido e cego, e sim raciocinado, robustecido pela observação, assente em sólidas e convincentes razões.
Não deveis prezar a vossa terra só porque é vossa terra, o que, aliás, bastaria. Sobejam motivos para que tenhais também orgulho da vossa nacionalidade. A natureza não constitui o seu exclusivo e principal título de vanglória.
Ousa afirmar muita gente que ser brasileiro importa condição de inferioridade. Ignorância, ou má fé! Ser brasileiro significa distinção e vantagem. Assiste-vos o direito de proclamar, cheios de desvanecimento, a vossa origem, sem receio de confrontar o Brasil com os primeiros países do mundo. Vários existem mais prósperos, mais poderosos, mais brilhantes que o nosso. Nenhum mais digno, mais rico de fundadas promessas, mais invejável.
Nas linhas que se seguem procurei demonstrar estes assertos. Não as inspira entusiasmo, mas experiência e estudo. Já me alonguei da quadra em que o entusiasmo domina. Mais de meio caminho da jornada está percorrido. Andei em demoradas viagens por grande extensão do orbe. Tenho lido e meditado muito, tenho sofrido duras decepções.
E me sinto amigo do meu país, cada dia em grau superior ao do antecedente. Em nenhum outro, fixaria de bom grado o domicílio. Peço que me deitem aqui, somente aqui, para o sono supremo.
Quereis saber os fundamentos desse culto? A leitura dos argumentos e fatos, adiante singelamente expostos, vo-lo mostrará.
Avigorai, meus filhos, estes argumentos; juntai novos fatos a tais fatos; propagai-os; cultivai, engrandecei o amor pelo Brasil.
Que a vossa geração exceda a minha e as precedentes, senão em semelhante amor, ao menos nas ocasiões de o comprovar. Quando disserdes: “Somos brasileiros!” levantai a cabeça, transbordantes de nobre ufania. Convencei-vos de que deveis agradecer quotidianamente a Deus o haver Ele vos outorgado por berço o Brasil.
CELSO, Affonso. 1997. Porque me ufano de meu país. Rio de Janeiro: Expressão & Cultura. pp. 25-27.
07 de setembro
Que hoje, ao comemorarmos o 185º ano da nossa emancipação política, as palavras de Affonso Celso sejam para nós um ideal. Ideal ingênuo e criticável talvez, mas não abandonável.
Nós, professores, alunos e funcionários, que trabalhamos em uma instituição federal - que representa a totalidade de nossa nação - devemos tomar essas palavras com ainda maior seriedade.
Não estamos aqui por favor, estamos com um dever, de dar um retorno à sociedade que nos permitiu estar aqui.
Não estamos aqui para mero prazer pessoal, estamos aqui para mostrarmos que somos dignos de aqui estar, quando tantos outros desejariam nosso lugar, mas não podem estar aqui.
Não estamos aqui porque o CEFET é nosso, estamos porque ele é maior do que nós e, ao partirmos ele continuará, ficando-nos a obrigação de ter feito dele algo melhor para nós e para os outros.
Estou no CEFET há mais ou menos um ano.
A cada dia de trabalho produtivo, quando vou embora, muitas vezes digo aos meus colegas de trabalho ou murmuro para mim mesmo: "Ganhamos nosso dinheiro honestamente." Ganhamos nosso dinheiro fazendo o que somos pagos para fazer.
Em cada dia de trabalho improdutivo, quando vou embora, penso em silêncio: "Ganho mais do que outros professores e não consegui cumprir com meu papel." Ganhei meu dinheiro sem merecê-lo, sem ter alcançado meu objetivo da forma que desejava ou deveria.
Conversando com um amigo sobre essas angústias ele me respondeu: "André, isso é besteira. Esse papo de Brasil não existe. O que existe é minha mulher, minha família, meus amigos. O Brasil sou eu."
Concordo só com o final.
O Brasil sou eu, e ele será o que eu fizer (ou não fizer) dele.
Friday, November 09, 2007
A história sem fim
Esse é um dos meus filmes favoritos, os poucos que me conhecem, sabem porquê.
Não há muito a falar, depois que conhecerem Atreyu e Bastian, saberão mais sobre mim do que muita gente que conviveu anos comigo.
http://www.youtube.com/watch?v=y688upqmRXo
Semana passada, visitei o túmulo de meu pai.
Depois de ter esquecido do aniversário dele.
Entendo a tristeza de Artax, é fácil sucumbir à tristeza.
Felizmente, sou brasileiro...
Não há muito a falar, depois que conhecerem Atreyu e Bastian, saberão mais sobre mim do que muita gente que conviveu anos comigo.
http://www.youtube.com/watch?v=y688upqmRXo
Semana passada, visitei o túmulo de meu pai.
Depois de ter esquecido do aniversário dele.
Entendo a tristeza de Artax, é fácil sucumbir à tristeza.
Felizmente, sou brasileiro...
Tuesday, October 09, 2007
Contaminados
Texto bastante representativo do que penso a respeito de mim e de nós em nossa relação com o mundo.
Dei-lhe uma nota tão suja e tão amassada quanto ele. Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco obrigado e começou a ler as manchetes dos vespertinos. Depois me disse:
- Não acredito um pingo em jornalistas. São muito mentirosos. Mas tá certo: mentem para ganhar a vida. O importante é o homem ganhar a vida, o resto é besteira.
Calou-se e continuou a ler notícias eleitorais:
- O Brasil ainda não teve um governo que prestasse. Nem rei, nem presidente. Tudo uma cambada só.
Reconheceu algumas qualidades nessa ou naquela figura (aliás, com invulgar pertinência para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria dizer nada:
- O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas. A natureza humana é que é de barro ordinário. Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim.
Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros:
- O senhor não vê? Estou aqui pedindo esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da saúde.
Tirei do bolso uma nota de cinqüenta e lhe ofereci pela sua franqueza.
- Muito obrigado, moço, mas não vá pensar que eu vou tirar o senhor da minha teoria. Vai me desculpar, mas o senhor também no fundo é igualzinho aos outros. Aliás, quer saber de umA coisa? Houve um homem de fato bom, cem por cento bom. Chamava-se Jesus Cristo. Mas o senhor viu o que fizeram com ele?
(CAMPOS, Paulo Mendes. Mendigo. In: Para gostar de ler, vol.2, Editora Ática, São Paulo, 4 ed. 1980)
MENDIGO
Eu estava diante duma banca de jornais na Avenida, quando a mão do mendigo se estendeu.Dei-lhe uma nota tão suja e tão amassada quanto ele. Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco obrigado e começou a ler as manchetes dos vespertinos. Depois me disse:
- Não acredito um pingo em jornalistas. São muito mentirosos. Mas tá certo: mentem para ganhar a vida. O importante é o homem ganhar a vida, o resto é besteira.
Calou-se e continuou a ler notícias eleitorais:
- O Brasil ainda não teve um governo que prestasse. Nem rei, nem presidente. Tudo uma cambada só.
Reconheceu algumas qualidades nessa ou naquela figura (aliás, com invulgar pertinência para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria dizer nada:
- O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas. A natureza humana é que é de barro ordinário. Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim.
Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros:
- O senhor não vê? Estou aqui pedindo esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da saúde.
Tirei do bolso uma nota de cinqüenta e lhe ofereci pela sua franqueza.
- Muito obrigado, moço, mas não vá pensar que eu vou tirar o senhor da minha teoria. Vai me desculpar, mas o senhor também no fundo é igualzinho aos outros. Aliás, quer saber de umA coisa? Houve um homem de fato bom, cem por cento bom. Chamava-se Jesus Cristo. Mas o senhor viu o que fizeram com ele?
(CAMPOS, Paulo Mendes. Mendigo. In: Para gostar de ler, vol.2, Editora Ática, São Paulo, 4 ed. 1980)
Sunday, September 30, 2007
FINALMENTE!
Finalmente pude disponibilizar o vídeo que fiz a partir das fotos que tirei de um ano maravilhoso: 2004.
Um ótimo ano de trabalho em um lugar que deixou saudades: Escola Municipal Ruy Barbosa.
Um ótimo ano de trabalho em um lugar que deixou saudades: Escola Municipal Ruy Barbosa.
Saturday, July 21, 2007
Amores e temores
Viajo na segunda para um congresso em Porto Alegre. É um congresso internacional - http://www.ufrgs.br/ppgas/7ram/index.html -e isso é importante para a minha carreira.
Tenho medo de ir.
Por que tenho medo? Porque estou feliz, com boa saúde, com uma mulher maravilhosa ao meu lado, etc.
Tenho medo de perder tudo.
Tantos perdem, por que eu seria exceção? O que me faria melhor que os outros?
Além disso, tenho o direito de me perder? Posso entrar na vida das pessoas e sair inesperadamente?
Tenho medo, penso até em não ir.
Até a próxima postagem.
Tenho medo de ir.
Por que tenho medo? Porque estou feliz, com boa saúde, com uma mulher maravilhosa ao meu lado, etc.
Tenho medo de perder tudo.
Tantos perdem, por que eu seria exceção? O que me faria melhor que os outros?
Além disso, tenho o direito de me perder? Posso entrar na vida das pessoas e sair inesperadamente?
Tenho medo, penso até em não ir.
Até a próxima postagem.
Saturday, July 07, 2007
Alguém muito especial!!!!!
No dia 15 de abril de 2007, dia marcado pelo falecimento de meu pai, uma nova fase da minha vida começou. Se no ano de 2006 esse dia marcou o início de uma solidão profunda, em 2007 ele significou o primeiro passo para uma nova dimensão. Uma dimensão de carinho, afeto, paixão, quem sabe de amor infinito...
O futuro a Deus pertence, mas o presente é nosso para construirmos nele o futuro que desejamos. Acho que tenho cumprido meu papel junto a minha PRIncesa, minha Pri, minha Priscila. Cada vez que a vejo sorrir, sou eu que fico feliz por perceber que tenho me feito merecedor do seu carinho.
Cada dia é uma pedra colocada, de forma delicada mas firme, nas bases do nosso relacionamento - relacionamento esse que desejamos que seja duradouro e, se Deus quiser (e Ele há de querer), definitivo. Nós dois nos espantamos da forma como em tão pouco tempo nos tornamos íntimos, necessários e indispensáveis um ao outro.
Não há dia em que sua ausência não seja sentida como saudade e que a presença dessa saudade seja um conforto parcial. Somente a sua presença me anima totalmente, embora uma palavra sua num e-mail, num torpedo, ou num recado no Orkut, já consigam me fazer sorrir de forma terna e com o coração feliz.
Se sou um homem solitário, frio, racional, distante, antipático, só não o sou pra ela, que sempre se espanta quando digo que os outros assim me descrevem, e que da mesma forma me vejo (até com certo orgulho e arrogância). Da mesma forma, quando comento como é carinhosa, atenciosa, terna, apaixonada e gentil, ela também se espanta ao saber que nunca tive uma mulher que fosse igual.
É fácil entender: ela é rara, como bem disse uma amiga que a conheceu por poucas horas. Você é muito especial e conseguiu o que nenhuma outra pessoa conseguiu em tão pouco tempo e de forma tão intensa: me tornar uma pessoa melhor e um homem feliz.
Te adoro, minha PRIncesa,
Beijos do seu Dré.
Friday, March 16, 2007
Elegia à uma desconhecida.
Texto colocado em um perfil na Internet
"SE VCS QUEREM AJUDAR UMA CABISTINHA QUE ACABOU DE CHEGAR DE ARRAIAL DO CABO A SE LOCOMOVER, NÃO PERCA SEU TEMPO. ADORO PRAIA, TODOS OS FINAIS DE SEMANA COM SOL ESTOU LÁ MARCANDO PONTO! MORO EM COPACABANA, TRABALHO NO CENTRO E FAÇO FACULDADE NA ESTÁCIO DE SÁ."
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RIO DE JANEIRO - O motorista de um Palio verde perdeu a direção e colidiu contra um poste na Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, no acesso à Linha Amarela, na zona oeste do Rio, por volta das 5h da madrugada desta segunda-feira. O acidente causou a morte do motorista Alexandre Ferreira da Silva, de uma mulher ainda não identificada, e de Gláucia da Silva, que chegou a socorrida.
Só posso dizer que, após termos sido "apresentados", tivemos algumas conversas e parecia que algum relacionamento surgiria daí, exatamente o quê, seria prematuro afirmar.
Só fico com minha cabeça martelando:
"Por que?"
Por que uma jovem de 27 anos, alegre e cheia de vida...
Me recuso a escrever.
Me recuso a aceitar.
"Luto por João Hélio" vi muitos perfis no orkut com essa frase.
Lamentei por ele mas não sofri por ele.
Eu não conhecia João Hélio.
Eu não conhecia bem a Gláucia, mas estava começando a conhecer...
Como a m. (Me recuso a escrever.), a partida de alguém que mal conhecemos pode nos afetar assim. Tomei conhecimento da existência dela no dia 26 de fevereiro - se ela tivesse m. (Me recuso a escrever.) um dia antes sua ausência teria sido a mais total inexistência para mim.
Mas agora ela existe.
Quer dizer, não existe mais.
Acabei de falar com Ney, meu ex-aluno do curso de Psicologia e amigo - sua esposa, Raquel, minha ex-aluna do curso de Psicologia e amiga tinha me chamado pra sairmos juntos - e lhe relatei o ocorrido.
Ele não conhecia Gláucia, acho que nem cheguei a lhe dizer seu nome, mesmo assim ele também ficou aturdido.
Como uma pessoa praticamente desconhecida pode provocar tantos sentimentos...
Lamento Gláucia.
Lamento não ter podido te conhecer melhor.
"SE VCS QUEREM AJUDAR UMA CABISTINHA QUE ACABOU DE CHEGAR DE ARRAIAL DO CABO A SE LOCOMOVER, NÃO PERCA SEU TEMPO. ADORO PRAIA, TODOS OS FINAIS DE SEMANA COM SOL ESTOU LÁ MARCANDO PONTO! MORO EM COPACABANA, TRABALHO NO CENTRO E FAÇO FACULDADE NA ESTÁCIO DE SÁ."
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Acidente na Barra da Tijuca mata três
12/03 - 10:42, atualizada às 13:09 12/03 - Redação
Gravemente ferida, Gláucia foi levada para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, mas não resistiu aos ferimento e morreu há pouco. Seu corpo foi enviado para o Instituto Médico Legal (IML).
Segundo os bombeiros, o motorista e a mulher, que estava no banco do carona, ficaram preso nas ferragens e o teto do carro foi arrancado com o forte impacto da batida.
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Pensei em escrever aqui um pouco do que conversei com Gláucia mas depois percebi que poderia estar expondo a privacidade dela.Só posso dizer que, após termos sido "apresentados", tivemos algumas conversas e parecia que algum relacionamento surgiria daí, exatamente o quê, seria prematuro afirmar.
Só fico com minha cabeça martelando:
"Por que?"
Por que uma jovem de 27 anos, alegre e cheia de vida...
Me recuso a escrever.
Me recuso a aceitar.
"Luto por João Hélio" vi muitos perfis no orkut com essa frase.
Lamentei por ele mas não sofri por ele.
Eu não conhecia João Hélio.
Eu não conhecia bem a Gláucia, mas estava começando a conhecer...
Como a m. (Me recuso a escrever.), a partida de alguém que mal conhecemos pode nos afetar assim. Tomei conhecimento da existência dela no dia 26 de fevereiro - se ela tivesse m. (Me recuso a escrever.) um dia antes sua ausência teria sido a mais total inexistência para mim.
Mas agora ela existe.
Quer dizer, não existe mais.
Acabei de falar com Ney, meu ex-aluno do curso de Psicologia e amigo - sua esposa, Raquel, minha ex-aluna do curso de Psicologia e amiga tinha me chamado pra sairmos juntos - e lhe relatei o ocorrido.
Ele não conhecia Gláucia, acho que nem cheguei a lhe dizer seu nome, mesmo assim ele também ficou aturdido.
Como uma pessoa praticamente desconhecida pode provocar tantos sentimentos...
Lamento Gláucia.
Lamento não ter podido te conhecer melhor.
Monday, December 18, 2006
New Order
Regret (Arrepender)
Talvez eu tenha esquecido... do nome e endereço...
De todo mundo que eu já conheci.
Não é nada que eu lamente
Guarde para outro dia
É dia de exame escolar e as crianças fugiram correndo.
Eu gostaria de um lugar que eu pudesse chamar de meu...
Ter uma conversa no telefone...
Acordar diariamente já seria um começo
Eu não reclamaria do meu coração ferido.
Eu estava aborrecido você vê
Quase todo o tempo
Você era um estranho
Agora você é minha
Eu nem iria confiar em você
Eu não tenho muito para dar
Nós estamos negociando nos limites
E nós não sabemos que
Você pode pensar que eu estou fora de mão
Que eu sou ingênuo, eu entenderei...
Nesta ocasião não é verdade
olhe pra mim... eu não sou você
Eu gostaria de um lugar que eu pudesse chamar de meu...
Ter uma conversa no telefone...
Acordar diariamente já seria um começo
Eu não reclamaria do meu coração ferido.
Eu era um fusível em curto
Queimando todo o tempo
Você era uma estranha completa
Agora você é minha
Eu gostaria de um lugar que eu pudesse chamar de meu...
Ter uma conversa no telefone...
Acordar diariamente já seria um começo
Eu não reclamaria do meu coração ferido.
Apenas espere até amanhã
Eu acho que é isso que eles dizem
assim que eles se despedaçam.
Talvez eu tenha esquecido... do nome e endereço...
De todo mundo que eu já conheci.
Não é nada que eu lamente
Guarde para outro dia
É dia de exame escolar e as crianças fugiram correndo.
Eu gostaria de um lugar que eu pudesse chamar de meu...
Ter uma conversa no telefone...
Acordar diariamente já seria um começo
Eu não reclamaria do meu coração ferido.
Eu estava aborrecido você vê
Quase todo o tempo
Você era um estranho
Agora você é minha
Eu nem iria confiar em você
Eu não tenho muito para dar
Nós estamos negociando nos limites
E nós não sabemos que
Você pode pensar que eu estou fora de mão
Que eu sou ingênuo, eu entenderei...
Nesta ocasião não é verdade
olhe pra mim... eu não sou você
Eu gostaria de um lugar que eu pudesse chamar de meu...
Ter uma conversa no telefone...
Acordar diariamente já seria um começo
Eu não reclamaria do meu coração ferido.
Eu era um fusível em curto
Queimando todo o tempo
Você era uma estranha completa
Agora você é minha
Eu gostaria de um lugar que eu pudesse chamar de meu...
Ter uma conversa no telefone...
Acordar diariamente já seria um começo
Eu não reclamaria do meu coração ferido.
Apenas espere até amanhã
Eu acho que é isso que eles dizem
assim que eles se despedaçam.
Sunday, October 29, 2006
Perdão meu pai.
Nessa semana que passou eu participei do 30° Encontro Anual da ANPOCS (24 a 28 de outubro de 2006), em Caxambu (MG), onde apresentei um trabalho no Seminário Temático "ST02 - Culturas jovens urbanas e novas configurações subjetivas".
- Na quinta-feira (26/10/2006) eu assisti à mesa redonda "MR12 - Desafios das Ciências Sociais", coordenada pelo professor Ruben Oliven (UFRGS), tendo como palestrantes Maria Arminda do Nascimento Arruda (USP) e Renato Lessa (IUPERJ).
- Após a realização da mesa redonda participei do fórum "FR02 - Sociologia no ensino médio (ou, o que fazer no dia seguinte?) - uma discussão sobre programas, métodos e recursos didáticos", coordenando pela professora Heloisa de Souza Martins da USP.
- Também assisti à apresentação de trabalhos no "meu" seminário temático tendo
estabelecido contatos importantes para minha pesquisa com colegas com interesses semelhantes, bem como trocado idéias com pesquisadores com estudos diversos.
À noite realizou-se uma festa pela comemoração dos 30 anos da ANPOCS, reunindo a "fina flor" da antropologia, ciência política e sociologia brasileira - a festa, para mim que me considero um pouco "outsider" foi muito interessante para observar os comportamentos de parte da nossa intelectualidade dentro do seu "ambiente natural".
Por volta de meia noite e quarenta, quando estava na pista de dança com Silvana, colega de Tatiana (minha amiga do doutorado lá no Museu Nacional), me lembrei que naquele dia, 26 de outubro, meu pai (falecido no último 15 de abril) faria 81 anos e eu não tinha nem me lembrado. Com isso, me distanciei da agitação e fiquei o resto da festa meditando sobre a sua ausência. Naquele momento me lembrei que minha amiga Liane, cuja mãe falecera em março desse ano, tinha me dito que quando estava triste às vezes relia um e-mail que eu tinha lhe enviado - dizia-se espantada com a minha sensibilidade e que ficava emocionada com minhas palavras.
Procurei o e-mail em minha caixa de mensagense, ao achá-lo, percebi que ele também serviria para mim nesse momento.
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Data: Mon, 20 Mar 2006 03:04:20 +0000 (GMT)
Assunto: Mente plena, mente vazia
"Liane,
te escrevo sem a mínima idéia do que dizer. Isso
ocorre porque nada pode ser dito. Dizer que
compartilha sua dor pode te trazer solidariedade mas
não diminuirá o que sente.
Os dias são sofridos, posso dizer que se tornarão
passáveis, depois serão vistos como aceitáveis até que
se tornem normais.
Nenhum de nós é tão insubstituível que a vida não nos
possa substituir. A morte nos leva nossos entes
queridos e os faz desaparecer pouco a pouco de nossas
vidas.
O que sobra deles? Nada, a não ser a vida que viveram
conosco e que nos fez o que somos. Assim, eles vivem
em nós e em nossas lembranças - cada vez mais
enevoadas e cada vez mais importantes.
Com o tempo eles se tornam mais altos e mais bonitos
do que eram, mas afinal, não era assim que os víamos
quando éramos jovens?
Que a imagem sofrida da sua mãe se apague no devido
tempo e seja substituída pela imagem materna que você
tem dela, e que ela se esforçou por construir.
Um abraço,
André."
------------------------------------------------------------------------------------
Peço-te desculpas meu pai por ter esquecido do seu aniversário. Irei te visitar essa semana e meditarei um pouco sobre ti. Mais do que tristeza, diminuída por habitar agora em uma casa nova sem tantas lembranças tristes recentes (embora carregue para sempre as memórias felizes do passado), ainda lamento sua morte anunciada e que foi tratada de forma tão descuidada pelos médicos - será que terei melhor sorte.
Um beijo meu pai.
- Na quinta-feira (26/10/2006) eu assisti à mesa redonda "MR12 - Desafios das Ciências Sociais", coordenada pelo professor Ruben Oliven (UFRGS), tendo como palestrantes Maria Arminda do Nascimento Arruda (USP) e Renato Lessa (IUPERJ).
- Após a realização da mesa redonda participei do fórum "FR02 - Sociologia no ensino médio (ou, o que fazer no dia seguinte?) - uma discussão sobre programas, métodos e recursos didáticos", coordenando pela professora Heloisa de Souza Martins da USP.
- Também assisti à apresentação de trabalhos no "meu" seminário temático tendo
estabelecido contatos importantes para minha pesquisa com colegas com interesses semelhantes, bem como trocado idéias com pesquisadores com estudos diversos.
À noite realizou-se uma festa pela comemoração dos 30 anos da ANPOCS, reunindo a "fina flor" da antropologia, ciência política e sociologia brasileira - a festa, para mim que me considero um pouco "outsider" foi muito interessante para observar os comportamentos de parte da nossa intelectualidade dentro do seu "ambiente natural".
Por volta de meia noite e quarenta, quando estava na pista de dança com Silvana, colega de Tatiana (minha amiga do doutorado lá no Museu Nacional), me lembrei que naquele dia, 26 de outubro, meu pai (falecido no último 15 de abril) faria 81 anos e eu não tinha nem me lembrado. Com isso, me distanciei da agitação e fiquei o resto da festa meditando sobre a sua ausência. Naquele momento me lembrei que minha amiga Liane, cuja mãe falecera em março desse ano, tinha me dito que quando estava triste às vezes relia um e-mail que eu tinha lhe enviado - dizia-se espantada com a minha sensibilidade e que ficava emocionada com minhas palavras.
Procurei o e-mail em minha caixa de mensagense, ao achá-lo, percebi que ele também serviria para mim nesse momento.
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Data: Mon, 20 Mar 2006 03:04:20 +0000 (GMT)
Assunto: Mente plena, mente vazia
"Liane,
te escrevo sem a mínima idéia do que dizer. Isso
ocorre porque nada pode ser dito. Dizer que
compartilha sua dor pode te trazer solidariedade mas
não diminuirá o que sente.
Os dias são sofridos, posso dizer que se tornarão
passáveis, depois serão vistos como aceitáveis até que
se tornem normais.
Nenhum de nós é tão insubstituível que a vida não nos
possa substituir. A morte nos leva nossos entes
queridos e os faz desaparecer pouco a pouco de nossas
vidas.
O que sobra deles? Nada, a não ser a vida que viveram
conosco e que nos fez o que somos. Assim, eles vivem
em nós e em nossas lembranças - cada vez mais
enevoadas e cada vez mais importantes.
Com o tempo eles se tornam mais altos e mais bonitos
do que eram, mas afinal, não era assim que os víamos
quando éramos jovens?
Que a imagem sofrida da sua mãe se apague no devido
tempo e seja substituída pela imagem materna que você
tem dela, e que ela se esforçou por construir.
Um abraço,
André."
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Peço-te desculpas meu pai por ter esquecido do seu aniversário. Irei te visitar essa semana e meditarei um pouco sobre ti. Mais do que tristeza, diminuída por habitar agora em uma casa nova sem tantas lembranças tristes recentes (embora carregue para sempre as memórias felizes do passado), ainda lamento sua morte anunciada e que foi tratada de forma tão descuidada pelos médicos - será que terei melhor sorte.
Um beijo meu pai.
Friday, September 01, 2006
Cartas, despedidas e saudades
"Aluno sempre pode te surpreender... às vezes, pro bem." Esse tipo de retorno, ainda mais espontâneo, é o maior presente que o aluno pode nos dar. Apesar de todos os problemas, crises, decepções, etc. um momento de reconhecimento apaga tudo.
Esse tipo de coisa não tem preço. Se fosse possível parar o tempo e preservar o momento em que essa carta - feita de improviso já que os alunos não sabiam que eu apareceria na escola -, me foi entregue, eu talvez sacrificasse um dia da minha vida para poder reviver essa hora.
"Tudo na vida passa", talvez meus alunos se empolguem com a nova professora e se esqueçam de mim porém, o que importa é que por pelo menos UMA hora nós nos amamos como professores e alunos deveriam se amar sempre: ambos conscientes de seus papéis e querendo desempenhá-los totalmente. Isso significa que talvez nem tudo esteja acabado, diferentemente do que diz Adalton, "Acabou".
Peço desculpas aos meus alunos por abandoná-los assim contudo, uma coisa posso dizer: "Durante um bom tempo estarei pensando em vocês, vendo vocês nos meus novos alunos e tentando ver neles o que via em vocês." Da mesma forma que ensinei a vocês, vocês me ensinaram pois me fizeram ver tanto a dignidade na pobreza quanto o luxo na riqueza, bem como o desperdício em maquiagem e o desinteresse pelos exercícios. Nesses novos dias com novos alunos e, infelizmente, sem meus antigos, me pego pensando nos meus alunos municipais e em como gostaria de poder estar com vocês já que vocês estaram sempre no meu coração.
Obrigado.
Obrigado por me fazerem especial por ter meu trabalho reconhecido por vocês.
André.

Saturday, August 19, 2006
Deus: poderia me devolver meu pai por cinco minutos?
Para pedir desculpas
Deus,
você sabe que tenho alguns problemas com você, bem como tinha com meu pai. Ainda posso resolver meus problemas contigo mas, com ele não. O Senhor sabe que a partida dele foi um tanto inesperada, por causa de médicos interesseiros e desinteressados.
Você sabe que se ele tivesse superado aquela crise, teríamos mudado um pouco, principalmente agora que consegui estabilidade profissional e poderia dar mais atenção a ele.
Queria apenas um instante para poder dizer que, apesar dos inúmeros defeitos que ele adquiriu ou aumentou nos últimos anos, eu nunca pensei em me afastar totalmente dele.
Que apesar de discordar muito dele, geralmente me considerando do lado certo, ao lado de uma certa soberba sempre me doeu um pouco ver que ele não concordava comigo - enquanto concordava com os outros em tudo.
Queria dizer que um dos meus maiores desejos é que, quando chegue a minha morte (que espero que demore muito para ter sucesso e poder aproveitá-lo), possa poder reencontrá-lo no outro mundo e poder mostrar-lhe que estava certo, que minhas discussões com ele tinham um razão e que estava mais do lado do certo do que contra ele.
Aí, estando ele, todos esses anos lá, me observando, me dirá: "Fico feliz que tenha se tornado o homem que não pude ser, que tenha feito o que não fiz e evitado o que fiz de errado. Fico feliz que, mesmo discordando de mim, e sofrendo por isso, não tenha deixado de fazer o que achava certo. Quero que saiba que mesmo sendo muito diferente de mim, sempre te admirei e tive muito orgulho de ti. Se não soube te demonstrar isso em vida, terei agora toda a eternidade para fazê-lo."
Ah meu pai, esse é um sonho bom que, agora mesmo, me dá dor na garganta e do qual, espero, nunca desaparecerá de minha mente como única forma possível de poder acertar minhas contas com ele e, do zero, sem mágoas, podermos recomeçar tal como éramos quando eu era criança e ele me levava para passear no parque ou na praia - quando éramos parecidos com o pai e o filho dessa comunidade.
Um beijo para ti meu pai,
André.

Monday, July 10, 2006
"Suponhamos que o homem seja homem e que sua relação com o mundo seja humana. Então, o amor só poderá ser trocado por amor, confiança, por confiança, etc. Se se desejar apreciar a arte, será preciso ser uma pessoa artisticamente educada; se se quiser influenciar outras pessoas, será mister se ser uma pessoa que realmente exerça efeito estimulante e encorajador sobre as outras. Todas as nossas relações com o homem e com a natureza terão de ser uma expressão específica, correspondente ao objeto de nossa escolha, de nossa vida individual real. Se você amar sem atrair amor em troca, i. é, se você não for capaz, pela manifestação de você mesmo como uma pessoa amável, fazer-se amado, então seu amor será impotente e um infortúnio." Karl Marx
"If we assume man to be man, and his relation to the world to be a human one, then love can be exchanged only for love, trust for trust, and so on. If you wish to enjoy art, you must be an artistically educated person; if you wish to exercise influence on other men, you must be the sort of person who has a truly stimulating and encouraging effect on others. Each one of your relations to man – and to nature – must be a particular expression, corresponding to the object of your will, of your real individual life. If you love unrequitedly – i.e., if your love as love does not call forth love in return, if, through the vital expression of yourself as a loving person, you fail to become a loved person – then your love is impotent, it is a misfortune." Karl Marx
"If we assume man to be man, and his relation to the world to be a human one, then love can be exchanged only for love, trust for trust, and so on. If you wish to enjoy art, you must be an artistically educated person; if you wish to exercise influence on other men, you must be the sort of person who has a truly stimulating and encouraging effect on others. Each one of your relations to man – and to nature – must be a particular expression, corresponding to the object of your will, of your real individual life. If you love unrequitedly – i.e., if your love as love does not call forth love in return, if, through the vital expression of yourself as a loving person, you fail to become a loved person – then your love is impotent, it is a misfortune." Karl Marx
Saturday, May 20, 2006

Como uma relação de pai e filho, pessoas tão próximas, pode se tornar tão distante. Depois que me deixou, meu pai, tenho pensado nesse trecho de "A consciência de Zeno", de Italo Svevo:
"Depois, no funeral, voltei a lembrar-me de meu pai, fraco e bom, como sempre o vira desde a minha infância (...). Fiz-me bom e afável, e a lembrança de meu pai me acompanhou sempre, tornando-se cada vez mais cara. Era como um sonho delicioso: estávamos então perfeitamente de acordo, eu reassumindo meu papel de fraco e ele o do mais forte."
Pena que você sempre foi tão fraco meu pai, tão manipulável pelos que queriam tirar o que pudessem de ti e tão inalcançável aos que te queriam bem, mas só te provocavam mágoa. Minha arrogância te trouxe muita mágoa eu sei, sempre soube, em parte eu assim quis pois esperava vencer-te pelo cansaço e te fazer mudar de opinião. Não te mudei, não te venci, não me deu chance de poder te convencer a ser de novo aquele pai que me levava pelas mão à praia suja da Ilha do Governador ou ao, ainda, não sujo Parque Ari Barroso.
Por que ele teve que morrer? Por que ele teve que ceder lugar ao "Caçulé" do botequim?
Quando tia Jandyra morreu, houve momentos em que pareceu que talvez pudéssemos ficar mais próximos (minha garganta me aperta agora). Mas tiraram esse tempo de nós.
MÉDICOS MALDITOS PARA QUEM CONTIGO TUDO IA BEM QUANDO TUDO IA MAL.
Saturday, March 25, 2006
Você me faz querer ser um homem melhor

"Melvin Udall: I've got a really great compliment for you, and it's true.
Carol Connelly: I'm so afraid you're about to say something awful.
Melvin Udall: Don't be pessimistic, it's not your style. Anyway, here goes: I've got this, what, ailment. Now, my doctor, this shrink I used to go to all the time, says that in fifty to sixty percent of cases, a pill really helps. I HATE pills, hate them. I'm using the word "hate" about pills. Anyway, my compliment to you is the night after you came over and said that you would never... well, you were there, you know what you said. Anyway, the very next morning, I started taking the pills.
Carol Connelly: I don't quite get how that's a compliment for me.
Melvin Udall: YOU MAKE ME WANT TO BE A BETTER MAN.
Carol Connelly: ...That's maybe the best compliment of my life.
Melvin Udall: Well maybe I overshot a little, because I was aiming at just enough to keep you from walking out."
As pessoas dizem que sou frio, dizem que sou racional, dizem que sou pragmático, que sou insensível.
Também tenho meu lado quente, irracional, descuidado e sensível. Essa cena, do filme "As good as it gets" (Melhor Impossível) é, na minha opinião, a melhor declaração de amor que um homem pode fazer para uma mulher. Poder dizer "eu quero ser um homem melhor", não por você mas pela pessoa que você ama, é um grande ato de entrega; a pessoa teve coragem de fazer pelo outro o que não teve força de vontade para fazer por si mesmo. É amar mais o outro do que a si próprio, é descobrir o amor próprio por causa do outro. É o amor pelo outro gerando o amor por si mesmo, logo não é um amor egoísta mas sim um amor que é troca porque sendo dado, ele é recebido.
É uma pena que seja difícil encontrar uma mulher digna de tal dádiva - não que elas não existam mas já estão comprometidas, ou estão presas a algum "homem do passado" ou estão fascinadas por algum canalha que não lhes dá atenção e que pensam poder transformar no seu "homem do futuro".
O ser humano é realmente MUITO estranho. Todos somos.
Monday, March 20, 2006

Bem, como pode-se prever, esse sou eu.
Não de todo feio.
Apresentável e, particularmente na minha opinião (totalmente desinteressada), acho que até atraente - embora fora dos padrões atuais.
Uma vez, minha professora de francês me disse que eu tinha cílios longos, bonitos. Enquanto ela falava isso satisfeita, me fazendo um elogio - afinal, eu era (segundo ela) a cara do seu ex-noivo e amor da sua vida - eu me percebia pensando:
"Que mulher hoje em dia está a fim de ficar vendo cílio de homem?"
Como já dizia Roberto Carlos (o cantor, não o jogador):
"Eu sou aquele amante à moda antigaDo tipo que ainda manda floresAquele que no peito ainda abrigaRecordações de seus grande amores.
Eu sou aquele amante apaixonadoQue curte a fantasia dos romancesE fica olhando o céu de madrugadaSonhando abraçado à namorada.
Eu sou do tipo de certas coisasQue já não são comuns nos nossos diasAs cartas de amorO beijo na mãoMuitas manchas de batom daquele amasso no portão.
Apesar de todo o progressoConceitos e padrões atuaisSou do tipo que na verdadeSofre por amor e ainda chora de saudade.
Porque sou aquele amante à moda antigaDo tipo que ainda manda floresApesar do velho tênis e da calça desbotadaAinda chamo de querida a namorada. "
PS: Desculpa, me esqueci de você Erasmo (o que seria de RC sem EC?)
Saturday, March 18, 2006
Tão perto, tão longe.
"Carta a Meu Pai" de Franz Kafka
Nesse desabafo, nunca enviado a seu pai, Kafka fala muito do que eu falaria a meu pai; porém, da mesma forma que ele escreveu mas não enviou, eu penso mas não falo.
"A esta tua usual representação, eu a considero correta apenas naquilo que diz respeito à tua ausência de culpa em nosso afastamento. Mas também igualmente isento de culpa estou eu. Se pudesse alcançar que reconhecesses isto, seria possível, talvez não uma existência nova, para isso estamos ambos demasiado velhos, mas sim uma espécie de paz, não um cessar, mas sim um atenuamento de tuas contínuas censuras."
Como pessoas unidas pelo sangue podem se separar por causa de personalidades diferentes.
O estranho é que acredito que, tanto ele quanto eu, gostaria que nos gostássemos mais.
Querer nem sempre é poder, nem sempre o que se pode fazer é o que deve ser feito e às vezes, quando o fazemos, não é certo de que será bem sucedido.
Se existem outras vidas, talvez resolvamos nossas pendências na próxima, meu pai.
Nesse desabafo, nunca enviado a seu pai, Kafka fala muito do que eu falaria a meu pai; porém, da mesma forma que ele escreveu mas não enviou, eu penso mas não falo.
"A esta tua usual representação, eu a considero correta apenas naquilo que diz respeito à tua ausência de culpa em nosso afastamento. Mas também igualmente isento de culpa estou eu. Se pudesse alcançar que reconhecesses isto, seria possível, talvez não uma existência nova, para isso estamos ambos demasiado velhos, mas sim uma espécie de paz, não um cessar, mas sim um atenuamento de tuas contínuas censuras."
Como pessoas unidas pelo sangue podem se separar por causa de personalidades diferentes.
O estranho é que acredito que, tanto ele quanto eu, gostaria que nos gostássemos mais.
Querer nem sempre é poder, nem sempre o que se pode fazer é o que deve ser feito e às vezes, quando o fazemos, não é certo de que será bem sucedido.
Se existem outras vidas, talvez resolvamos nossas pendências na próxima, meu pai.
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